sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Dança


Um segundo.
De milhares, de milhões, de trilhões
De segundos
Que passam e repassam.
Começam e finam
Recomeçam e refinam.
Como em Campos.
E passam
O segundo
O segundo segundo que vai
E foi, segundo, foi o segundo
Que segurasegundo
Segundoquesegura e vai seguindo
Segundo.
Segue o segundo em uma dança
De tempos
De A
De Favor
De a favor tempo
Contratempo.
O tempo
Que marca a dança
A primeira
A ultima
A primeira ultima dança
O Primeiroultimoprimeiro
Segundo
Da primeiraultimadança
E dança segundoosegundo
Seguindosegundosqueseseguem
Só pra La
Pra cá
Pra lá
E
Pra cá
Pracápralás
Pra lá pra lá pra lá pra lá
A ultima.
A primeira
Do primeiro ultimo
A ultima primeira
A dança. De dança de segundo
Em segundo
Desegundodedança
Do segundo que dança com a dança.
Dança.
Não Redança
Não Ré
Rés
Jaz
um segundo.
Porque se pudesse
Redança
Não rés
Não Jaz.
Jazz.
Redançava
Refazia
Recalava
E dançava
A primeira ultima dança
O Primeiroultimoprimeiro
Segundo
Da primeiraultimadança.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ultima linha 2009

A ti, minha ultima linha como prova do desalinho em que me deixaste.
Porque quando passas, assim, seguindo a tua linha, me deixas todo cheio
de entrelinhas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Fronteira.



Kilometros, centímetros e milímetros.
E Entre nós a distancia do infinito.
Silêncio?
Provavelmente.
Mas nesse momento em um espaço de poucos Kilometros
Certamente milhares de cérebros gritam
Concebendo sonhos ,como os meus, de preencher,
Centímetros kilométricos como esses entre nós.
Ainda silêncio.
Se mais cinco segundos se passarem, talvez
Você saiba que meu calar fala de você.
Tento respirar.
Mas não consigo, malditos
movimentos involuntários.
Você ajeita o cabelo e sorri.
Silencio.
Só queria dizer.
É muito bom estar perto de você.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Cheiro

Perdi um presente que você não me deu
Em qualquer, qual quer, momento entre ontem e hoje
Simplesmente esqueci.
De tanto lembrar.
Mas esqueci.
Entre estantes e instantes
meses e mesas ,
Camas e Camels
Idas e vindas
pros copos na copa.
Esqueci.
Esqueci.
procuro e não encontro
peço e não volta
Peço.
Não volta.
Não .
Volta.
Volta.
Em qualquer, qual quer, momento entre ontem e hoje
Entre Camas e Camels
meses e mesas
volta.
perco
procuro
peço.
e esqueço.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Dois Pontos ..

.E suas histórias.
.
.
..
:
..
Vai e
Volta
De volta
da volta
Envolta
Vá.
Mas volta.
Vá, Vá , Vá.

.
E .
Volta
In volta
Da Volta .
da volta
. .
Volta.
Envolta
De volta.

. .
..
Vái
. .
. .
. .

.
volta
volta
e
Re-volta.

*

sexta-feira, 25 de setembro de 2009


Espero que Durmas Flor
E Acordes Flor
Comeces
E recomeces
Flor.
Flor,
seja sempre flor
De tanta delicadeza
Comum entre flores
Diferente entre flores
gargalhada doce
olhos apertados
quanta delicadeza
Comum entre flores
Diferente entre flores.
Flores comumente diferentes
Diferentemente comuns
E comumente indiferentes
São capazes de machucar
Pobres rapazes
Desprevenidos.
comumente
Desprevenidos.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

“Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".
Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".
E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.”